O que são os padrões de beleza e como se caracterizam?





A cultura não para de se transformar. Os padrões sociais construídos para designar a beleza nada mais são que expressões de uma cultura num contexto histórico e espacial específico. Seria possível perceber estas mudanças nos padrões de beleza e caracterizá-las em nossa cultura?
Limitando-nos aos padrões de beleza ocidentais (inicialmente), criamos uma linha histórica genérica, para que possamos visualizar certo panorama destas transformações e suas características principais.
A beleza por muito tempo esteve relacionada ao feminino. Na Mitologia Grega, por exemplo, temos o amor, sexualidade e beleza personificadas em Afrodite. Existem inúmeras obras de artistas que buscaram retratar as formas clássicas almejadas pelas mulheres (e homens). Descrevem-nas como mulheres de cabelos cacheados e longos, seios volumosos, delicadeza nas expressões faciais e corpos relativamente acima do peso ideal para os padrões atuais. Os homens também possuíam seu padrão clássico, estes ligados aos esportes e com físico atlético, mas também com delicadeza nas expressões faciais. Um padrão bem naturalista, que visava representar os homens e mulheres geralmente com pouca ou sem roupas e adereços.
Na Idade Média, a exaltação ao corpo foi bastante atacada, onde o padrão de beleza deixaram de ser ligados ao corpo, agora limitado à postura e adereços. As mulheres são geralmente retratadas com grandes vestidos e exaltando uma pureza casta. Da mesma forma os homens também buscavam um padrão parecido, pois o pensamento cristão debatia sobre a ideia do corpo e da alma, onde o corpo era o que promovia a degeneração da alma. Assim, o corpo deixa de possui o valor clássico. Não era aceitável a fuga desse padrão estético, pois representava uma visão de mundo que mesclava teologia, normas sociais e desejo de singularidade com outros povos não tão “aptos” à estética ocidental.
Focando os olhares para a Idade Moderna, percebe-se um pequeno retorno ao clássico. Folhetins com imagens “eróticas” de mulheres sem roupas começam a circular com maior freqüência neste período e o corpo começa a ganhar destaque novamente na mentalidade dos ocidentais, mesmo que com grande repressão da Igreja Católica. O padrão máximo de beleza era delimitado aos nobres, pois a maioria da população não tinha acesso aos vários privilégios dos mesmos que as pessoas ligadas à linhagem real ou titulações dadas pelo Rei. Podemos destacar neste período a imagem do rei Henrique VIII e Elizabeth I.
Dando um pulo significativamente grande, vemos na contemporaneidade, uma massificação dos padrões de beleza. Outrora, não eram tão popularizados e geralmente destinados a uma parcela muito restrita da população. A globalização teve sua grande parcela nesta divulgação estética. No início do séc. XX existiam as francesas como grandes influenciadoras até mesmo em nosso país. A “Belle Époque brasileira” teve suas influências também com a vinda dos imigrantes italianos e europeus.
Atualmente, não conseguimos definir bem o ritmo das transformações do padrão de beleza. A cultura não se limita mais à um território e a exaltação do corpo é complementada com o poder de consumo. Claro que existem diferenciações de acordo com a cultura de cada povo, de cada região, mas com o desenvolvimento dos meios de difusão da cultura de massa, promovido principalmente pelo “American way of life”, temos um modelo de beleza que é introduzido dentro de muitos países.
As semanas de moda estão à todo momento produzindo novos modelitos, novas tendências, novas formas de se expressar. A beleza deixou de ser algo natural e passa a ser comercializada, como um produto. O corpo nunca foi tão centro das atenções dos ocidentais como em nosso presente. Nos medicamentos podemos encontrar as almejadas formas estéticas (mascaradas no discurso do corpo saudável) e na fórmulas farmacêuticas e da indústria da beleza encontramos também mecanismos de embelezamento diversos: pomadas, maquiagens, óleos, perfumes e etc.
O corpo também pode ser alterado, basta possuir dinheiro para iniciar o processo de transformação das características corporais, muitas vezes delimitadas pela própria genética. O avanço científico, ligando às diversas áreas do conhecimento humano, promoveu e promove transformações gigantescas nas performances estéticas de homens e mulheres.
A deusa grega começa a ser vestir e adquirir personalidades múltiplas. Não existe hoje apenas um padrão de beleza, mas muitas formas de ser identificar com a beleza. Góticas, urbanas, religiosas, e tantas outras formas de se perceber o belo são mostrados em diversas formas de divulgação: internet, revistas, vídeos e etc.
Cada um, hoje em dia, pode se identificar com o padrão de beleza que achar mais atrativo. E o padrão oriental também pode ser percebido e tem sua parcela de seguidores em nosso país. O padrão de beleza japonesa também tem suas restrições assim como a ocidental.
 Também existe uma plena revisitação de estilos de outras épocas para a reformulação no presente. Podemos notar em mulheres que se identificam com a moda “Pin up”, por exemplo, mas com tatuagens e batom de cores fortes.
Algumas mulheres se imortalizaram como “sex simpols” e que inspiram outras mulheres até hoje. É o caso da Marilyn Monroe que é considerada uma das mulheres mais desejadas de sua época. Até hoje são ícones de um padrão estético que se personificam em revistas e filmes.
Desta forma, conclui-se que os padrões de beleza possui seus significados para a sociedade de acordo com sua época e localização espacial. Não é homogênea e são reflexos da cultura, de uma civilização. Está em contínua modificação porque a cultura não é cristalizada e segue em conjunto com o avanço científico e do ser humano no geral.

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