Chorem!

   
     Sorrir, por vezes, é mais difícil que nadar contra um rio. Esconder uma mágoa ou dor interior por detrás de uma gargalhada é cutucar ferida não cicatrizada, é abafar com torniquete uma infecção de pele, é jogar álcool sobre o fogo. Corajosos são os que se permitem chorar, deixam verter até a gota final o sangue do sofrimento latente e que insiste em permanecer vivo.
    Chorar é um dos únicos momentos em que respeitamos nosso “Eu”, pois não importa quem seja o alguém (que pode estar na sua frente), o que existe – e que machuca por dentro – é o que importa. As lagrimas são provindas de pequenas fissuras nas janelas da alma e que representam 0,000000000001% do rio de prantos que revestem o nosso ser no momento de dor.
    Hoje, chorar é ser forte o suficiente para enfrentar a insalubridade egocêntrica da vida humana.

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