É tempo de refletir!

Filme "Tempos Modernos" (1936)

Este é um momento memorável, único e, de certo modo, anárquico. Utilizo-me de um tempo extremamente cobiçado pelos deveres que me escravizam, para produzir algo que me faz bem, o ato da reflexão. O tempo se derrama por entre meus dedos como água, assim como também evapora como álcool, tornando momentos para a consciência existencial cada vez mais vagos, ínfimos e sem sentido. A espontaneidade, em nossa sociedade, é totalmente maquiada pela nossa rotina, pelos apertos das responsabilidades alheias à razão máxima do cuidado de si. Nosso tempo é surrupiado por cronogramas, agendas grifadas de amarelo-cítrico, ônibus atrasados e congestionamentos diários. Até mesmo o direito do prazer na alimentação matinal também é negado aos riscos de um atraso iminente. É paradoxal pensar que para sermos "bem sucedidos" devamos abdicar de simples desejos e anseios que são inerentes ao nosso próprio ser. Não, não quero estar sujeito à normatização de minha personalidade com o objetivo de padronizar minha alma. Sou um ser livre e que precisa respeitar o respirar da minha mente, não a frustrando às ações de outrem.

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