Pesadelo
Acordo de súbito, tentando raciocinar e estabelecer um contato com a minha realidade. O pânico ainda interage com o corpo de maneiras indescritíveis, sendo que a única sensação ainda interpretável é o acelerar do coração, cujos batimentos são descontroladamente rápidos. A respiração sufocante vai fluindo lentamente e acabo aos poucos percebendo que estou em meu ambiente, na minha zona de conforto, pois já não estou dentro de um mundo de riscos e solidão. Solidão porque nestes filmes mentais, o protagonista não interage ou compartilha dos mesmos sentimentos de medo e angustia que os outros personagens do sonhado, não muito diferente do mundo real.
Agora que as doses de adrenalina em meu sangue estão cada vez menores, percebo que todo este medo proveniente do sonhado é como um sinal de vida, de que tenho algo precioso e que devo preservá-lo a todo custo. Compreendo agora o quão importante tais visões que provocam choque e pânico são a nossa vida. O medo inerente ao pesadelo surge do desconhecido, do não previsto, do sentimento de não existir algo ou alguem. O que podemos tirar de aprendizado nestes sonhos horripilantes?
Acredito que, como um conto de fadas, como uma ficção que se constroe de traços do real, estes sonhos teriam uma lição a ser dada. Precisamos sonhá-los, sabe?! Necessitamos deste 'start' para valorizar o real e a nossa própria vida.
(Fernando Joaquim)

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